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segunda-feira, 22 de abril de 2013

ATIVIDADE – DIA DO ÍNDIO DIA DAS MÃES (FAMÍLIA) DIA DO TRABALHO



INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CARMELA DUTRA
ATIVIDADE – DIA DO ÍNDIO 
DIA DAS MÃES (FAMÍLIA)
DIA DO TRABALHO
ENCONTRO DE PPIP/ TURMA ____
DIA: ___/___/13

ATIVIDADE 1:HISTÓRIA  “PAIS E MÃES” Autor Nelson Albissu/ Editora Cortez
PLANO DE AÇÂO Relacionando: Dia das Mães/Dia do Trabalho
Objetivos gerais:
Conversar com a turma sobre a família – sua origem e importância;
Valorizar e identificar a figura que independente de ser a mãe biológica, faz o papel de mãe, criando e educando;
Conhecer as atribuições das mulheres nas aldeias indígenas, assim como as escravas. Como viviam com seus filhos.
Realizar oficinas para oferecer às mães, organizadas pelas turmas;
Discutir e valorizar o trabalho doméstico;
Elaborar questões junto à turma para que pensem sobre quais as atividades que cada um exerce que pode ser considerada um trabalho – “Eu trabalho?” “Eu ajudo em casa?” “O que eu posso fazer para ajudar?”;
Elaborar cartõezinhos, cartinhas, bilhetinhos... Vivenciando a função social da escrita;
Elaborar junto com a turma a lista de material utilizado na oficina;
Valorizar a importância do grupo familiar para a sociedade e o respeito à diversidade dos grupos familiares;;
Promover a valorização da figura materna que pode estar representada para a criança na figura da avó, do pai, da tia, da madrinha e etc., refletindo novamente sobre as diversas configurações familiares;
Enfatizar a importância dos sentimentos, do convívio e respeito no grupo.

Enfoque:
História e Geografia: Dia das Mães – valorizar a figura de quem faz o papel de mãe seja um tio, uma tia, pai, avó... A origem do Dia das mães. O Trabalho – trabalho doméstico, O que você faz para ajudar em casa? As mulheres que têm dupla jornada de trabalho, reconhecimento e valorização dessas cidadãs. O trabalho da mulher no campo e na cidade. O trabalho das mulheres nas aldeias indígenas, o trabalho das escravas no Brasil. As profissões que as mulheres exercem hoje e que eram profissões ditas como masculinas. Para as turmas maiores: podemos citar como a mulher era inferiorizada durante a História da Humanidade/ Português: trabalhar através de recursos como histórias e teatro vivo, atitudes conscientes de cidadania (Ajuda nas tarefas domésticas, o cuidado com o consumo de energia, da água e etc. Quando você economiza na sua casa, você está ajudando a sua família a economizar também) que podemos realizar para melhorar o ambiente da nossa casa, a convivência e as finanças. Confecção de recados, redações, cartõezinhos e etc. // Matemática: Probleminhas relativos ao tema.// Ciências: Cuidados que devemos ter com a higiene da nossa casa. A dengue. Como está o nosso quintal, a nossa caixa d’água? Pesquisar para as mamães os cuidados que devem ter ao limpar a casa, a posição da coluna para varrer e etc. Pesquisar dicas de beleza não só física, como também emocional; sorriso, abraço e etc. Como devem fazer com o manuseio do óleo de cozinha usado, receitas e dicas para reaproveitar alimentos, embalagens...

Algumas atividades:
Atividades com músicas, histórias, vídeos que tratem do tema: família. Pedir que os alunos levem para a sala de aula fotos da família e que numa grande roda falem de como é sua família, a rotina de cada um e etc. Pedir que tragam a  ultrassonografia (caso o responsável permita que a criança leve à escola). É uma oportunidade de reforçar o quanto a tecnologia está presente nas nossas vidas e sua importância.
Outra sugestão de atividade é trocar as fotos antes das apresentações propriamente ditas, e pedir que cada aluno apresente como se fosse sua família. Será uma experiência interessante. Talvez, ele determine uma “função” para algumas pessoas do grupo familiar que não seja a real função no grupo. Essa atividade permite às crianças perceberem que a função em si, não é tão importante, mas o que cada um representa pra ela no grupo. E se ela, criança, tem contribuído de alguma forma para o grupo familiar com suas atitudes, palavras e etc.
O vídeo dos Flistones mostra de forma ilusória como era a vida na Idade da Pedra, no entanto é possível, fazermos comparações com outros desenhos, cujas histórias se passam em outros contextos históricos, mostrando também uma diversidade de grupos familiares e contextos. O desenho para os menores e o filme para os maiores vai favorecer esses olhares e o trabalho desses conceitos com a turma. Será que a família foi sempre a mesma?
O importante é enfatizar que a família, seja qual for a formação do grupo, é uma instituição importante para a sociedade, que ela faz parte da nossa história como o primeiro grupo do qual fazemos parte e é ali, no grupo, que aprendemos os primeiros passos, recebemos valores, hábitos, costumes,  idéias e nos identificamos.
Será que a família foi sempre a mesma? Como era a função do pai, da mãe nas famílias antigas? E hoje? Como era a vida da família? As pessoas tinham tempo para conversar, contar histórias, brincar com os filhos? E hoje, temos tempo? Que histórias contavam? Que músicas cantavam? Dormiam cedo? Que tipo de música dançavam? Como era o som? Havia CD? Como meus avós se vestiam? Onde eles moravam? E etc. (Caso, a família ainda tenha alguma música que possa ser tocada na sala, ou mesmo algum objeto ou equipamento que permita a reprodução daquela mídia, perguntar à família se há possibilidade de trazer para a escola e mostrar para a turma. Imaginem quantas músicas, ritmos aparecerão. As crianças vão notar que a produção cultural é algo vivo, a qual também participamos da produção, criando e transformando, assim como, somos influenciados).
Outra sugestão é marcar um bailinho na sala com as músicas que as vovós da turma gostam, por exemplo.
Essas e outras questões podem ser levantadas através de entrevistas com perguntas elaboradas pelos alunos na sala de aula e serão feitas em casa, com a própria família do aluno. É uma forma de provocar nossos alunos e seus familiares para que de alguma forma conversem, troquem informações, que nossos alunos tomem conhecimento da história de suas famílias e de sua própria história e origem. Alguns alunos não têm sua origem familiar na região sudeste, sua origem familiar é de outra região... Aproveite isso! Incentive o seu aluno à pesquisa, instigue a sua curiosidade. Não esqueça que o processo tecnológico se construiu inicialmente a partir da necessidade, da curiosidade, da tentativa, da ousadia, da criatividade. Vamos despertar esse espírito curioso nos nossos alunos.
Levantar listas, como por exemplo, o que eu aprendi com a minha família, por qual motivo minha família é importante, por qual motivo eu sou importante para a minha família, o que eu ensinei para a minha família e etc. Mostrar para os alunos que embora as famílias, atualmente, estejam se distanciando um pouco por conta da vida corrida, do trabalho, das mães trabalharem fora, por causa da tv, da internet (e esse distanciamento é muito ruim – podemos enviar mensagens aos familiares durante essas duas semanas sobre a importância de terem qualidade no momento que estiverem em casa junto de seus filhos), algumas coisas mudaram para melhor. Hoje, a criança tem mais espaço para conversar com seus pais, fazer perguntas... Coisa que não acontecia antigamente. Hoje, há uma abertura maior, neste sentido, filhos e pais, tios, tias, avós... Estão mais próximos. Entrevistas elaboradas pelas crianças; realização de oficinas; confecção de convite e/ ou recado, receitas; Trabalhar com músicas, poesias, histórias; Confecção de cartazes, de dicas (panfletos) para ajudar em casa e etc. Redação. Pesquisas. Reciclagem


ATIVIDADE 2: CONFECÇÃO DE PETECA

Neste encontro confeccionamos petecas com material reciclado.
Liste o material que utilizou
Cite dois conteúdos que podem ser trabalhados e partir desta atividade e a que áreas do conhecimento pertencem.
Escolha um conteúdos entre os dois que citou e elabore um objetivo











Você gostou dessa atividade? Com ela podemos trabalhar diversos conteúdos e integrá-los, claro que não podemos dar conta de tantos conteúdos em uma única aula e nem precisamos mudar nosso Plano de Curso em função das atividades. No entanto, podemos procurar adaptar novas abordagens para desenvolver os conteúdos, tornando-os significativos, interessantes e contextualizados.
Por exemplo, a atividade da confecção da peteca, surgiu do material sobre o índio, onde vocês tiveram acesso a endereços de link’s (vídeos/ depoimentos) sobre a realidade do índio brasileiro na atualidade, mostrando que não podemos trabalhar a cultura indígena de forma romântica e ultrapassada, assim como, sobre hábitos das crianças e adultos de uma tribo: brincar. Na tribo, adultos e crianças brincam e a peteca é um brinquedo de origem indígena. Poderíamos realizar no Ensino Fundamental, diversas atividades relacionadas ao conteúdo “Cultura Indígena” que está mais ligado à área de História/Geografia.
Alguns exemplos:
Português
Verbos/ tempos verbais (A partir da brincadeira da peteca, realizamos diversos movimentos, ou seja, ações/ verbos. Assim poderíamos trabalhar após a brincadeira)
Construção de texto ( Descrever as regras para a brincadeiras)
Construção de texto – receita (Instruções e material para confecção da peteca)
Ciências
Lixo reciclável e não-reciclável

Colar foto da sua peteca:

sexta-feira, 19 de abril de 2013

EDUCAÇÃO? EDUCAÇÕES: APRENDER COM O ÍNDIO



EDUCAÇÃO? EDUCAÇÕES: APRENDER COM O ÍNDIO



Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo o azul, e não se aparta de sua água — carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.


João Guimarães Rosa/Grande Senão: Veredas



Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: educação? Educações. E já que pelo menos por isso sempre achamos que temos alguma coisa a dizer sobre a educação que nos invade a vida, por que não começar a pensar sobre ela com o que uns índios uma vez escreveram?
Há muitos anos nos Estados Unidos, Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os índios das Seis Nações. Ora, como as promes­sas e os símbolos da educação sempre foram muito adequados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus governantes mandaram cartas aos índios para que enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo e recusando. A carta acabou conhecida porque alguns anos mais tarde Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. Eis o trecho que nos interessa:

““... Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agrade­cemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que dife­rentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.
...Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros. Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles, homens."

De tudo o que se discute hoje sobre a educação, algumas das questões entre as mais importantes estão escritas nesta carta de índios. Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante.
Em mundos diversos a educação existe dife­rente: em pequenas sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades; em sociedades camponesas, em países desenvolvidos e industrializados; em mundos sociais sem classes, de classes, com este ou aquele tipo de conflito entre as suas classes; em tipos de socie­dades e culturas sem Estado, com um Estado em formação ou com ele consolidado entre e sobre as pessoas.
Existe a educação de cada categoria de sujeitos de um povo; ela existe em cada povo, ou entre povos que se encontram. Existe entre povos que submetem e dominam outros povos, usando a educação como um recurso a mais de sua dominância. Da família à comunidade, a educação existe difusa em todos os mundos sociais, entre as incontáveis práticas dos mistérios do aprender; primeiro, sem classes de alunos, sem livros e sem professores especialistas; mais adiante com escolas, salas, professores e métodos pedagógicos.
A educação pode existir livre e, entre todos, pode ser uma das maneiras que as pessoas criam para tornar comum, como saber, como idéia, como crença, aquilo que é comunitário como bem, como trabalho ou como vida. Ela pode existir imposta por um sistema centralizado de poder, que usa o saber e o controle sobre o saber como armas que reforçam a desigualdade entre os homens, na divisão dos bens, do trabalho, dos direitos e dos símbolos.
A educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais que a criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua sociedade. Formas de educação que produzem e praticam, para que elas reproduzam, entre todos os que ensinam-e-aprendem, o saber que atravessa as palavras da tribo, os códigos sociais de conduta, as regras do trabalho, os segredos da arte ou da religião, do artesanato ou da tecnologia que qualquer povo precisa para reinventar, todos os dias, a vida do grupo e a de cada um de seus sujeitos, através de trocas sem fim com a natureza e entre os homens, trocas que existem dentro do mundo social onde a própria educação habita, e desde onde ajuda a explicar — às vezes a ocultar, às vezes a inculcar — de geração em geração, a necessidade da exis­tência de sua ordem.
Por isso mesmo — e os índios sabiam — a edu­cação do colonizador, que contém o saber de seu modo de vida e ajuda a confirmar a aparente legalidade de seus atos de domínio, na verdade não serve para ser a educação do colonizado. Não serve e existe contra uma educação que ele, não obstante dominado, também possui como um dos seus recursos, em seu mundo, dentro de sua cultura.
Assim, quando são necessários guerreiros ou burocratas, a educação é um dos meios de que os homens lançam mão para criar guerreiros ou burocratas. Ela ajuda a pensar tipos de homens. Mais do que isso, ela ajuda a criá-los, através de passar de uns para os outros o saber que os constitui e legitima. Mais ainda, a educação parti­cipa do processo de produção de crenças e idéias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades. E esta é a sua força.
No entanto, pensando às vezes que age por si próprio, livre e em nome de todos, o educador imagina que serve ao saber e a quem ensina, mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu professor, a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na educação — nas suas agências, suas práticas e nas idéias que ela professa — interesses polí­ticos impostos sobre ela e, através de seu exercício, à sociedade que habita. E esta é a sua fraqueza.
Aqui e ali será preciso voltar a estas idéias, e elas podem ser como que um roteiro daqui para a frente. A educação existe no imaginário das pessoas e na ideologia dos grupos sociais e, ali, sempre se espera, de dentro, ou sempre se diz. para fora, que a sua missão é transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros: “... e deles faremos homens". Mas, na prática, a mesma educação que ensina pode deseducar, e pode correr o risco de fazer o contrário do que pensa que faz, ou do que inventa que pode fazer: “... eles eram, portanto, totalmente inúteis".